quarta-feira, 21 de junho de 2017

Que Passos pode Coelho dar?

Tenho que começar por dizer que a posição e o desempenho de um líder da oposição em Portugal é, do ponto de vista da sua análise, ingrata e desequilibrada.

Isto porque é um cargo que é visto como sendo desempenhado de uma forma isolada, responsável por todas as decisões e opiniões emitidas pelo próprio e que tem que “pagar” pessoalmente (com o respetivo custo de capital político) pelos sucessos do partido que está no governo.

De facto, o primeiro-ministro e respetivos ministros desempenham cargos com relevância direta na vida dos cidadãos, tomam decisões diariamente, são conhecidos e aparecem nos media a falar todos os dias sobre os assuntos que são da sua competência. O primeiro-ministro não está sozinho quando é analisado, sendo que inclusive as decisões tomadas na área de cada ministro são escrutinadas e avaliadas sendo atribuído o mérito ou demérito ao respetivo. Os cidadãos e os media conhecem os membros do governo (pelo menos os ministros e penso que alguns secretários de estado) e acompanham diariamente a sua atividade.

No entanto tal não acontece com a oposição. Para os cidadãos e para os media (no que reportam, havendo alguns jornalistas que sendo especialistas na matéria aqui excetuo) conhecidos são sobretudo os líderes dos partidos (e noutra escala eventualmente os chefes das bancadas parlamentares). De resto ninguém conhece os pretensos membros do governo sombra, ninguém sabe quem está na cúpula partidária mais próxima do líder, quem participa no seu processo de decisão ou eventualmente influenciou e ajudou a decidir determinada tomada de posição ou declaração pública.
Ou seja, e resumindo, o líder oposição partilha menos visibilidade com a sua equipa por razões óbvias, tem muito menos tempo de antena do que um governante, não toma decisões que influenciam diretamente os cidadãos, e apenas é atribuída importância e analisado aquilo que diz nas ocasiões públicas em que por vezes aparece.

É um assim um papel ingrato e avaliado de uma forma ingrata. Ainda pior quando os ventos sopram de feição ao governo pois aí inversamente é olhado de lado como se, pelo governo ter sucesso, tal possa significar que não representa uma alternativa válida e que o seu programa não é o que serve o país. E como isso é injusto para Passos, cuja governação preparou o terreno para que o atual governo colhesse os frutos e, sem pudor, os louros. Inversamente sabemos que quando a governação apresenta maus resultados e se começam a avizinhar crises políticas o líder da oposição equilibra os pratos no que à atenção mediática diz respeito. Nessas alturas a imprensa procura-o diariamente para o ouvir clamar por mudança e ávida de conhecer as suas propostas e programa caso venha a governar (o que em Portugal nunca acontece preferindo os políticos sempre falar do sucesso futuro sem revelar alguma vez a receita).

Dito isto, é aqui que se encontra Passos Coelho. Líder da oposição num tempo de vacas gordas para o atual governo, tendo a sua pegada histórica ficado indelevelmente ligada à imagem da austeridade. É uma posição complicada. E vendo-o fragilizado pela mesma logo aparecem dentro do seu próprio partido os suspeitos do costume (como os há em todos os partidos) que cobardemente capitalizam o momento quando lhes cheira a fraqueza e vão propondo-se para mudanças. Considero isto pessoalmente um erro e uma deslealdade pois o partido deve muito a Passos Coelho, sobretudo o facto de ter governado inabalável na execução de um programa que ele sabia que ia custar votos mas que acreditava que era a única solução para o país. E pessoalmente também acho que um dia o país e a nossa história escrita lhe farão justiça. Daqui a muitos anos, como acontece sempre.

Não incluo neste rol de desalinhados oportunistas Rui Rio. Este sempre foi um putativo candidato, tem um programa e uma agenda própria e poder-se-ia candidatar à liderança do partido em qualquer outro momento não precisando de apanhar Passos Coelho na “mó de baixo” para achar que a sua candidatura faz sentido. Sempre pertenceu a uma linha diferente, postula uma solução diferente e, pelo que fez, tem e terá sempre o direito a avançar. Incluo neste rol os restantes que já vieram a terreiro e que acham que o momento difícil que atravessa Passos poderá desviar as atenções do facto de terem um curriculum político ainda insuficiente para um projeto de liderança.

Mas então que poderia Passos fazer de diferente para não ser visto como eclipsado? Na minha opinião (e voltando a frisar que em todo o caso os tempos estão muito adversos para se fazer oposição) só há um rumo: marcar a agenda mostrando como se deveria governar e que alternativas existem a este frenesim “desreformista”.

Se Passos se dedicar a estudar os problemas do País, se ele se rodear das pessoas certas e mais competentes em cada área da sociedade civil, e se procurar ter uma agenda intensa e presente, poderá adquirir uma outra visibilidade. Terá que ir ao encontro dos eleitores com propostas, identificando os problemas e apresentando aquelas que seriam as suas soluções e, se estas forem bem trabalhadas e de encontro à raiz do problema, Passos poderá ainda ver sentado o governo a aplicá-las (se a sobranceria e orgulho não os impedir de prestarem esse serviço ao País).

Como as coisas estão Passos não pode fazer de morto e esperar que o governo meta água e surjam eleições. Pior, as autárquicas, a meu ver, ainda irão agravar mais a situação. E assim não se verificarão as circunstâncias normais de governo cair e a oposição tomar o poder. Pelo contrário, o cenário atípico atual até fará com que o mais provável seja o governo cair mas o PS ganhar as eleições seguintes com maioria absoluta.

E assim, e por tudo isto, repito: Passos só tem uma opção: mostrar que está vivo, que o seu programa de austeridade foi executado e faz parte do passado (este discurso desconheço porque ainda não saiu da gaveta) e que tem uma agenda para o país, que conhece os seus problemas que tem as melhores propostas para cada um, sendo ele a maior garantia de um governo para o futuro.

Foi o líder de um governo que tirou o país da bancarrota, ganhou as últimas eleições e é o líder do maior partido da oposição. As pessoas têm que se lembrar que o HOMEM está ali, têm que se lembrar como foi afastado do poder e têm que saber o que teria feito se o tivessem deixado governar.

Ainda é tempo e está na hora. Portugal ficaria grato. Eu já estou.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Os últimos paladinos românticos da esquerda puseram-se a descoberto…e o camaleão da direita está a pôr-se a jeito

(Texto publicado na minha conta de Facebook em 17.02.2017)



Que fartote teriam feito o Bloco e o PCP com esta polémica da CGD se ainda tivéssemos um governo da direita coligada! Catarina Martins, no seu estilo mais zangado (confesso que não gosto de políticos zangados, para mim os Galambas, Miguéis Tiagos, Pedros Nuno Santos etc., quando discursam com ar zangado e com ar de desprezo e despeito para os seus colegas de hemiciclo, perdem a atenção dos colegas tribunos e o respeito dos populares interessados), e Jerónimo no seu tom de Avô “magoado por não o deixarem proteger melhor os seus netos trabalhadores” estariam neste momento a viver dias de glória e protagonismo…derrubariam o Ministro e com isso inventariam canções sobre o feito para serem cantadas por gerações e gerações…

Mas assim é a política. Para mim, desde que assisto e me interesso por política, sempre tinha visto o PCP (porque até aos nossos tempos nunca tinham feito parte de uma solução de governo) como se vendendo incorruptível, mais, como defensor das vítimas de uma real politik que rejeitava, como denunciadores de jogos políticos que não eram mais do que isso e que apenas serviam os jogadores e prejudicavam o povo. O Bloco, mais pueril pela idade, não teve no entanto qualquer pejo em assumir a mesma atitude de ofendido face ao jogo corrupto de interesses que a seu ver marcava a política nacional…

Eis se não quando, reféns da única proximidade ao poder que alguma tiveram, os vemos nus, a fazerem um puro e duro jogo político, jogando com as suas regras como quem sempre as conheceu. Chamo a isso, quer o escamotear que fazem do que Centeno fez (pelo Amor De Deus contratem-lhe um assessor de imagem que o proíba de sorrir a bem da sua tentativa de vender uma imagem confiante e competente), quer o veto que têm feito às audições que o provariam….

Qualquer eleitor (até os eleitores daqueles partidos) se perguntará o porquê de, “havendo a possibilidade de se comprovar que um Ministro mentiu aos seus governados, e de tal ser possível aferir através de uma audição numa qualquer comissão de inquérito”, teRmos estes partidos, paladinos da verdade e da proteção ao povo, a impedir que ele seja “meramente” ouvido numa comissão. O que pretendem esconder, eles que nunca esconderam nada…

Pois foi, descobrimos que o Rei vai nu e que estes partidos, tão sobranceiros e arrogantes no que ao desprezo pelos seus menores o eram, afinal, têm os mesmos limites e armas que aqueles últimos…política é política e estes são tão políticos como os outros…

Não concordo nem acho que sirva ao país a demissão de Centeno. Isto porque ele é o mentor de uma política que continuará a ser seguida para o bem e para o mal e mais vale ter o mentor ao leme do que derrubá-lo e esperar que um substituto tenha igual sucesso. Mas percebo a direita e o que está a fazer, o Ministro mentiu e nas regras da política quem faz oposição tem que exigir a sua demissão, sobre a pretensão de proteger o povo mas em bom rigor apenas jogando o jogo político. O que eu não esperava era que os paladinos incorruptíveis ao jogo da política jogassem o jogo com a mesma falta de escrúpulos…logo eles….

Muito se especulou sobre o que para serviria a geringonça, para mim já serviu para isto: para quebrar uma imagem que eu tinha desde novo, que aquela esquerda não pactuava nem vivia de jogos políticos, tal defensora do povo que era…


P.S. O nosso camaleão da direita, fiel a si mesmo e ao que já era há vários anos de comentário (e sobretudo na sua campanha em que entre A e B sempre respondeu C) continua alegremente de braço dado com o governo, esperando ser amado por todos. Tenho uma dúvida: se por algum acaso “surpreendente e inesperado” (como o que aconteceu a Sócrates em 2008) as coisas não correrem bem e este governo se vir obrigado a demitir-se, será que o camaleão também tentará emular a cor encarnada?

A Muleta e a Bengala II – Os reféns

Texto publicado na minha conta do Facebook em 24.11.2016)



A negociação do orçamento de estado em curso é um momento excelente para observamos e interpretarmos os comportamentos dos protagonistas. Quem vê a pose, discurso e sorriso presunçoso dos representantes do Bloco, de quem sente que tem as rédeas na mão, continua a acreditar que o Bloco tem o PS refém das suas reivindicações.

De facto, aquela presunção que levam para todo o lado onde discursam, sempre a anunciar pretensas linhas vermelhas e limites para aprovação do orçamento, em muito destoa do tom mais sereno do PCP.

Mas em bom rigor, e como já tem vindo a tornar-se óbvio, o PS está tão refém do Bloco como o Bloco do PS. De facto, desde a fundação daquele partido, nunca estiveram tão perto do poder como agora, quase conseguindo governar da sua bancada parlamentar, não no que acaba promulgado mas no que aos atos de governação diz respeito, e dou como exemplo a forma como se acham no direito de aprovar e desmandar nomeações, apontar falhas com ameaças (o discurso de Catarina Martins dirigido a António Costa sobre o Banif foi uma afronta que não deve ter passado sem registo) ou defender membros do governo como se de membros do seu partido se tratassem.

Assim, nota-se que, ao mesmo tempo que presunçosamente se passeiam e discursam como se levassem o PS atrás preso com uma corda ao pescoço, muitas vezes acabam por engolir sapos atrás de sapos pois sabem que, se tiverem que “bancar” (gosto de usar este termo em relação ao Bloco pois estimam muito a Banca) algum dos muitos bluffs que já fizeram nas ameaças ao governo (Caixa, pensões etc.) e de facto vierem a provocar a queda do governo, então tão depressa não voltarão a estar tão perto do poder e da governação…

Acho mesmo que sabem que, com o PS a subir nas sondagens, António Costa facilmente aceitará uma qualquer pequena crise política para deixar cair o Governo e provocar eleições nas quais espera conseguir uma maioria absoluta que lhe permita governar sem as grilhetas da geringonça…e é por isto que os vemos tantas vezes apaniguadamente a anunciar e a cantar a harmonia da solução governativa em vigor (apesar de ser notório o conflito Bloco/PCP).

Na noite das eleições depois de ver a festa da coligação pela vitória e o discurso que “apelava ao PS que estivesse à altura das suas responsabilidades” fiquei ainda mais curioso para ouvir António Costa. Surpreendeu-me enquanto caminhava para discursar que não fosse com um de derrota, mas com o tal sorriso presunçoso de quem acha que sabe mais que outros, e depois do ouvir dizer que “o PS estaria à altura das suas responsabilidades” (com o tom e cara com que o disse) percebi perfeitamente que não havia qualquer intenção de negociar com a coligação e que a agenda era outra. 

O malabarismo foi tal que permitiu aprovar um governo e governar até agora, dependente sim do Bloco e PCP mas governando a seu bel prazer com aparência de cedências aqui e ali, mas nada que alguma vez se assemelhe ao cumprimento de um caderno de encargos.

As pretensas vitórias que o Bloco tem conseguido com a solução que integra são uma pequena sombra do seu programa de governo e ainda menos do seu programa eleitoral mas o importante não era nada disso, era tirar quem lá estava…o programa eleitoral agora facilmente se “troca por miúdos” a bem de manter o status quo e a aparência de poder, ainda que isso possa defraudar quem votou no partido.


Há pouco tempo quando numa entrevista perguntaram a Trump se não se sentia mal por afinal agora, não parecer que quer cumprir muito do que anunciou na campanha, ele respondeu tranquilamente: “Arrependido porquê? Ganhei não ganhei?!...”. 

Eu e os políticos

(Texto publicado na minha página do Facebook em 16.11.2016)

Muito se escreveu na altura da publicação deste livro. Ataques, defesas, críticas e elogios e até insultos. Pessoalmente compreendo as motivações de uns e de outros (fora os que insultam pois perdem a consideração no debate), tanto a justificação do autor para o “full disclosure” na medida em que só assim entendeu fazer justiça à história e interesse público nas informações reveladas, como nos que se sentiram ofendidos e desrespeitados mas sobretudo violados na confiança depositada.

De facto, muito do que consta no livro apenas foi revelado ao autor na assunção e confiança de que o mesmo teria sempre reserva no que à confidencialidade do confessado dizia respeito. Isso podem, magoados, reclamar porque se verifica agora que não aconteceu (a reserva) e duvido que não estejam todos arrependidos da confiança depositada. 

Pessoalmente acho que não seria capaz de escrever um livro destes, assumindo que, havendo justificação ou não, estaria sempre a trair a confiança e a expor tantas pessoas.

No entanto, e pelo menos para mim pessoalmente há algo que não merece contestação: o interesse público da informação revelada, sobretudo para todos nós contribuintes e governados. De facto, acho mesmo que, se fosse possível sem burocratizar muito o processo de decisão dos governantes, deveria haver uma ata descritiva de todos os processos de decisão com relevância para os contribuintes, registos estes que, 20 anos depois, deveriam ser desclassificados e tornados acessíveis para a opinião pública.

Tal porque considero relevante (pelo menos para mim) por exemplo saber se determinadas decisões importantes e relevantes para a vida de todos nós foram tomadas, ou no âmbito de um processo criterioso, informado e bem aconselhado, ou apenas por mero capricho. Por exemplo, se uma determinada pessoa é preterida na escolha para um determinado cargo por embirração pessoal do governante que tem a escolha a seu cargo.

Surpreendo-me mesmo aqueles que não consideram importante saber até que ponto estamos entregues a governantes competentes ou não. E, mais uma vez a título de exemplo e atendendo à minha sugestão de registo dos processo de decisão, proponho imaginar o seguinte: se amanhã tivermos um antigo primeiro ministro que agora se pretende candidatar a Presidente  da República, tendo nós acesso à história da sua governação através do tal registo que sugeri, alguma vez vamos elegê-lo se pelos registos pudermos verificar que deixou que a sua vida pessoal, tricas, desencontros e outras relações menos profissionais tivessem influenciado decisões que tomou e que nos influenciaram a todos enquanto contribuintes e governados? Eu não elegeria e a disponibilização daquela informação seria relevante na minha escolha.


É esta a maior relevância que encontrei no livro, que achei interessante. O ter exposto os políticos como eles são, fora da capa que sentem necessidade de usar para a opinião pública (o que compreendo), com vícios e fraquezas como qualquer mortal, mas sobretudo nem sempre tomando decisões nem conduzindo as suas condutas como imaginamos.

A Muleta e a Bengala

(Texto publicado na minha página do Facebook em 27.10.2016)



Desde novo que sempre gostei de ver senhores “mais entrados” a usar bengala. Sabemos que alguns a usam porque de facto, quando bem apoiada numa passada, os ajudam e lhes facilitam a caminhada, mas também conhecemos quem a use por gosto, porque em bom rigor não padecem de nada que a obrigue e porque, por várias razões todas válidas (apreciação pela bengala, gosto pelo hábito ou por vezes por simples manias pessoais que todas as temos) simplesmente não a dispensam.

A bengala, face à muleta, é muito menos compulsiva e obrigatória. Esta última é quase sempre prescrita por um médico ou técnico de fisioterapia e é essencial para a recuperação física do “paciente”. É indispensável e a falta ou incorreção do seu uso impossibilita a recuperação e a gestão diária das caminhadas indispensáveis para fazermos a nossa vida.

Dito isto (na minha opinião), reconheço ambas as situações supra descritas na atualidade e funcionamento da “geringonça”, e a presente discussão do orçamento de estado dá-nos uma excelente oportunidade para constatar isso mesmo. De facto, e se virmos e analisarmos as atuações dos 3 (4 partidos se quiserem) partidos que a suportam, vemos o partido do Governo a precisar e a usar tanto a bengala como a muleta.

Quiçá decorrente do resultado das últimas eleições legislativas, ou do simples estilo dos respetivos líderes, vemos o BE e o PCP a terem atuações muito distintas. O BE reivindica e ameaça, não tendo pejo de anunciar todos os dias o seu caderno de encargos, e tem até já deputados e dirigentes, como se fossem membros do governo, a dar como garantidos novos impostos em conferências de imprensa. O PCP vai tentando fingir que não fica atrás, mas o discurso é muito menos vigoroso, menos “zangado” e em rutura e vai dando sinais de que, se houver aparência de reivindicações reconhecidas, todos continuarão amigos como dantes.

O partido do Governo (ou o Governo em bom rigor pois dentro do partido ainda há quem proteste com a subserviência que tem servido para manter o status quo) vai tentando usar aqueles dois partidos de forma distintas: o BE por ameaçar sempre o equilíbrio que serve para manter o Governo em funções é gerido com pinças e até desculpado quando se mostra demasiado voluntarioso; o PCP é tratado com pancadinhas nas costas, quase com pesar e compaixão por aquele partido ter sofrido o desaire que sofreu nas últimas legislativas e ter sido ofuscado pelo BE, mas numa atitude de quem tem a confiança que facilmente chegará ali a acordos (aumento de €10,00 nas pensões sim mas talvez só em agosto) que permitam aprovar o orçamento e salvar a face àquele partido…

Parece claramente que o Governo encara o BE como se fosse uma muleta sua, sem a qual não pode caminhar e assim trata essa muleta com uma consideração bem diferente do que a que parece dar ao PCP, tratado como uma bengala, que dá gosto usar mas que parece (repito parece) não ser essencial…

As aparências são o que são e restará ver como se aguentará o Governo (e a “geringonça”) se o PCP, reconhecendo o papel que tem a par do BE (independentemente do resultado das eleições, ambos os partidos são essenciais para a maioria que sustenta o governo) adotar semelhante atitude e obrigar assim o Governo a passar a andar com duas muletas…


A Geringonça tem “andado”, com estas nuances e vicissitudes, mas coxeia desde que nasceu, e vamos ver se alguma vez “correrá”. É que, como acho (e repito) as muletas “são essenciais para a recuperação física do “paciente” (…) e a falta ou incorreção do seu uso impossibilita a recuperação e a gestão diária das caminhadas indispensáveis para fazermos a nossa vida” e esta “solução governativa” enquanto andar de muletas não me parece que venha algum dia a correr.