quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu e os políticos

(Texto publicado na minha página do Facebook em 16.11.2016)

Muito se escreveu na altura da publicação deste livro. Ataques, defesas, críticas e elogios e até insultos. Pessoalmente compreendo as motivações de uns e de outros (fora os que insultam pois perdem a consideração no debate), tanto a justificação do autor para o “full disclosure” na medida em que só assim entendeu fazer justiça à história e interesse público nas informações reveladas, como nos que se sentiram ofendidos e desrespeitados mas sobretudo violados na confiança depositada.

De facto, muito do que consta no livro apenas foi revelado ao autor na assunção e confiança de que o mesmo teria sempre reserva no que à confidencialidade do confessado dizia respeito. Isso podem, magoados, reclamar porque se verifica agora que não aconteceu (a reserva) e duvido que não estejam todos arrependidos da confiança depositada. 

Pessoalmente acho que não seria capaz de escrever um livro destes, assumindo que, havendo justificação ou não, estaria sempre a trair a confiança e a expor tantas pessoas.

No entanto, e pelo menos para mim pessoalmente há algo que não merece contestação: o interesse público da informação revelada, sobretudo para todos nós contribuintes e governados. De facto, acho mesmo que, se fosse possível sem burocratizar muito o processo de decisão dos governantes, deveria haver uma ata descritiva de todos os processos de decisão com relevância para os contribuintes, registos estes que, 20 anos depois, deveriam ser desclassificados e tornados acessíveis para a opinião pública.

Tal porque considero relevante (pelo menos para mim) por exemplo saber se determinadas decisões importantes e relevantes para a vida de todos nós foram tomadas, ou no âmbito de um processo criterioso, informado e bem aconselhado, ou apenas por mero capricho. Por exemplo, se uma determinada pessoa é preterida na escolha para um determinado cargo por embirração pessoal do governante que tem a escolha a seu cargo.

Surpreendo-me mesmo aqueles que não consideram importante saber até que ponto estamos entregues a governantes competentes ou não. E, mais uma vez a título de exemplo e atendendo à minha sugestão de registo dos processo de decisão, proponho imaginar o seguinte: se amanhã tivermos um antigo primeiro ministro que agora se pretende candidatar a Presidente  da República, tendo nós acesso à história da sua governação através do tal registo que sugeri, alguma vez vamos elegê-lo se pelos registos pudermos verificar que deixou que a sua vida pessoal, tricas, desencontros e outras relações menos profissionais tivessem influenciado decisões que tomou e que nos influenciaram a todos enquanto contribuintes e governados? Eu não elegeria e a disponibilização daquela informação seria relevante na minha escolha.


É esta a maior relevância que encontrei no livro, que achei interessante. O ter exposto os políticos como eles são, fora da capa que sentem necessidade de usar para a opinião pública (o que compreendo), com vícios e fraquezas como qualquer mortal, mas sobretudo nem sempre tomando decisões nem conduzindo as suas condutas como imaginamos.

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