Tem sido comum encontrarmos quem opine e escreva na classe
jornalística e política que o atual governo tem beneficiado de uma imprensa permissiva,
desculpante e até que, até ao debacle Pedrógão/Tancos, vinha preferindo
cavalgar e manter a onda do otimismo, mais do que ambicionando ser honesta com
o passado recente. Dizem que levava o governo ao colo e que permitiu ao
presente elenco governativo ter os resultados económicos que apresenta e que
lhe dão o brilho cavalgado…
É verdade. Em geral este governo (como aliás tem sido comum
a outros governos socialistas que se seguiram a governos de direita que
serviram para endireitar as finanças) tem gozado de um estado de graça por
parte da imprensa invejável. Todos os méritos lhe são atribuídos, “quase” todas
as falhas lhe têm sido perdoadas e, apenas com os fracassos recentes já
mencionados, alguns jornalistas tiveram o pejo de cumprir com a obrigação de
dizer a verdade: o governo falhou. E claro, os suspeitos do costume que alinham
em todo o lado puderam então ter as condições para vir a terreiro dizer que
afinal o “Rei vai nu” e que muito mais já se notava estar errado etc…
Assim é o País, assim é a classe, e assim é a imprensa. Mas
que imprensa temos nós? Deixo a minha opinião, facilmente descartável por quem
não a considerar como tal (é a minha) ou que não é bem baseada etc… É a minha.
Olhando (e porque os prefiro na análise política) para os
semanários, o que temos? Desde logo a Instituição (e ainda força dominante): O
velho (e agora de novo) “Espesso”! Sobreviveu a tudo. Desde nos tempos de
Saraiva ter sobrevivido ao Independente de Portas e ME Cardoso, o qual tinha as
manchetes que faziam as pessoas esperarem pelo sábado para comprar aquele
jornal, ao Sol que com Saraiva conseguiu ter o mesmo efeito nos tempos das “faces
de Sócrates” na capa (e que também levava as pessoas a esperar pela abertura
das bancas à sexta-feira na altura) e a todas as mudanças editoriais que as
decisões de gestão da Impresa, melhor ou pior tomadas, com maior ou menor
critério de gestão, foi tomando.
É um jornal que considero ter o seu contraditório
assegurado. Nunca senti que Ricardo Costa tivesse uma cor ou posição política
que exigisse muita compensação, e mesmo por outros lados mais de esquerda sempre
achei o jornal equilibrado. Nos últimos anos e sobretudo desde a queda de
Sócrates senti pessoalmente (e repito na minha opinião) menos equilíbrio mas
não é ali que identifico mais presente a vénia atual feita ao governo. Essa
noto-a mais, e de sobremaneira, nos diários. Mas fica também este ponto mais
aberto para o rebate, pois é opinião livre.
O Sol é para mim o
“outro semanário” de referência do momento. Já não tem o peso dos tempos áureos
do “face oculta em direto”, nem tem
já o grupo financeiro forte estrangeiro que lhe protegia os costados à época,
sendo agora mais dependente da estrutura empresarial que tem por trás, que
começou no seu atual Diretor e demais empresários familiares corajosos que se
envolveram. Esta falta de “peso empresarial”, e de despreocupação com a
necessidade de lucros que imperou noutros tempos fazem-se sentir em algumas
características do jornal, desde logo na aparente nudez dos seus suplementos e
na dificuldade de investimento nalgumas rubricas.
Confesso contudo que ainda é o jornal da minha preferência.
Talvez porque sou uma pessoa de hábitos e há anos que me sinto habituado à linha
editorial de Saraiva, que apesar de já não ser o Diretor ainda tem um jornal
muito “desenhado” (poderia dizer arquitetado mas era só maldade com o complexo
que sempre sentiu a classe jornalística nutrir por si por ser arquitecto) por ele.
Mas vejo se calhar este jornal mais prejudicado no seu
contraditório. Tentemos “ler/perceber” o jornal: a capa mantém a sua tentativa
de chamar a atenção de forma imediata e de fazer o leitor querer comprar o
jornal sem abrir o jornal na banca (algo que já vem de há muito tempo e
aprendido com o Independente); segue-se a coluna do atual Diretor Mário Ramires,
como tem e deve ser; de seguida a de Saraiva enquanto Colaborador que é agora,
Diretor fundador e portador do peso e interesse político que mantém. Fazendo
aqui uma pausa e opinando pessoalmente sinto Ramires mais ao centro (da “nossa
política nacional” e não do conceito internacional de linha política) e Saraiva
mais à direita, apesar de eu achar que o mesmo sempre se considerou de esquerda
mas que se desiludiu muito com Sócrates e com o PS desde esse momento, tendo ao
mesmo tempo ganho muita consideração pelo “mouro” Passos. De seguida neste
jornal temos algumas peças dos jornalistas com mais cartilha (Felícia Cabrita,
Ana Petronilho entre outros) e a primeira crónica das que se seguem aos pilares,
assinada por Ana Sá Lopes que alguma maldade diz que tem aquele lugar mais por
antiguidade que outra coisa mas são opiniões de pessoas que de certo
desconhecem a sua experiência no meio e sapiência na abordagem aos temas.
Mas de onde vem o desequilíbrio no contraditório parte do já
descrito e do que se lhe tem seguido. A estrela emergente, de seu nome
Sebastião Bugalho, parece-me claramente pouco ao centro. Assina notícias com
peso e a sua crónica é já a quarta na ordem do destaque. Sinto-o claramente
mais à direita e desiludido com um país no qual as pessoas parecem ter vergonha
de admitirem que o são (de direita). Critica e defende o PSD, protagonistas e
ocultos, Passos e os seus assumidos e falsos opositores. Consegue entrevistar
Faragge e Daniel Oliveira com a mesma objetividade e sem deixar convicções
pessoais definirem o rumo da entrevista. Mas ele está lá, e noto-o repito como
a estrela emergente, por mérito próprio e trabalho feito, e de direita. E gosto
de ler o que pensa e escreve.
No entanto, seguindo aquela Ordem, partindo de Ramires,
subindo no tom com Saraiva e indo dar a Bugalho, acho que a linha do jornal
fica com uma linha muito definida (se a seguir só lermos Sofia Vala Rocha então
mais pronunciada fica). Sim, sei que muitos mais escrevem no mesmo jornal e que
é dado espaço à esquerda, alguns mesmo assumindo isso mesmo, que ali estão para
serem contraponto. Mas o jornal é aquele, e nota-se: experimentem não ler as
colunas de opinião e apenas ler as notícias e acho que tal ficará ainda mais
óbvio.
Mas isto e este jornal é negativo? Não. Com a imprensa
nacional atual com cores e sentimentos tão declarados, preferindo a maioria
seguir com as marés e ser gostada por todos a começar pelo governo, o Sol tem
um papel marcado e importante. Porque ainda há quem não ande a dormir e saiba
que há realidades que só andam a ser escamoteadas, por mais que os Galambas,
Pedros Nunos Santos e Miguéis Tiagos continuem a aparecer sempre zangados com
os austeros culpados de todos os males….

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